Alcolumbre trava a PEC da 6x1 porque sabe de que lado está

Por Adriana Helfer
Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul e Região

 

A PEC que propõe o fim da escala 6×1 está parada no Senado não por acaso, nem por falta de tempo ou por dificuldade técnica. Está parada porque, quando uma pauta mexe com o lucro dos patrões, o Congresso mostra sua verdadeira face.
A classe trabalhadora sabe muito bem o que significa viver na escala 6×1. Significa trabalhar seis dias, descansar um, adoecer em silêncio, abrir mão da convivência familiar, não ter tempo para estudar, cuidar da saúde ou simplesmente viver. Enquanto isso, setores empresariais tratam o descanso como custo e a vida do trabalhador como detalhe.
Davi Alcolumbre não está apenas atrasando uma votação. Ele está cumprindo um papel político. Segura a proposta, empurra o debate, cria obstáculos e permite que o Senado funcione como barreira contra a pressão que veio das ruas. Quando interessa aos bancos, ao grande comércio, ao agro e aos grupos econômicos, tudo anda rápido. Quando interessa ao trabalhador, aparecem reuniões, relatorias, negociações intermináveis e discursos sobre responsabilidade.
A verdade precisa ser dita com todas as letras: direito não se implora em gabinete. Direito se conquista com organização, mobilização e enfrentamento. A PEC chegou até aqui porque milhões de trabalhadores colocaram o fim da 6×1 na pauta nacional. Não foi presente de governo, de senador ou de patrão. Foi fruto da pressão de quem acorda cedo, pega ônibus lotado, bate ponto, fecha loja tarde e ainda precisa ouvir que descansar dois dias por semana seria exagero.
Também é preciso dizer que a proposta já chegou rebaixada. A reivindicação histórica da classe trabalhadora não pode ser reduzida a uma negociação tímida para caber nos limites de quem nunca viveu a exploração na pele. O que defendemos é jornada menor, sem redução de salário, com mais saúde, dignidade e tempo de vida.
Por isso, o movimento sindical não pode ficar refém da boa vontade do Senado. É preciso assembleia, pressão nas bases, mobilização nacional e unidade da classe trabalhadora. Se o Congresso trava, a rua precisa destravar. Fim da escala 6×1, já. Porque trabalhador não é peça descartável na engrenagem do lucro. Descanso e condições dignas são cláusulas inegociáveis para os trabalhadores.