Assembleia discute não realização de acordo coletivo de Natal em Venâncio

Sem o chamado acordo natalino, firmado em outros municípios, o comércio de Venâncio Aires segue apenas as regras da CLT, o que pode limitar o horário estendido de funcionamento em dezembro

 

Venâncio Aires – Os trabalhadores do comércio, setor de lojas, do município de Venâncio Aires realizam nesta terça-feira, 11, ao meio-dia, uma assembleia extraordinária, convocada pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul e Região. O encontro ocorre na sede da entidade, localizada na Rua General Osório, no Centro, e busca mobilizar a categoria diante da indefinição sobre o funcionamento do comércio durante o período de Natal, assim como a cesta de benefícios garantidos em acordo coletivo.

Na convenção coletiva firmada em abril deste ano, entre o sindicato patronal e o Sindicato dos Empregados, os lojistas de Venâncio Aires decidiram não firmar o acordo natalino, que define a ampliação do horário de atendimento no fim do ano. Sem o documento específico, valem apenas as regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que autorizam até duas horas extras por dia, com acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal. O impasse deixa o calendário de funcionamento das lojas em aberto e preocupa a direção sindical assim como os trabalhadores.

Segundo a presidente do sindicato, Adriana Helfer, a ausência de um acordo traz insegurança e sobrecarga ao trabalhador do comércio. “O mês de dezembro é o mais intenso do ano. É um período em que o comércio lucra mais, mas também exige mais de quem está no balcão. É fundamental que as condições de jornada e pagamento sejam definidas com antecedência e respeitadas”, afirma. Adriana reforça que, sem o regramento coletivo, a rotina dos profissionais tende a se tornar mais desgastante, uma vez que as jornadas acabam sendo estendidas de forma improvisada, sem previsibilidade de folgas e sem o devido reconhecimento financeiro.

Adriana ressalta ainda que a assembleia desta terça-feira tem caráter mobilizador e será um momento de escuta e decisão da categoria. “Não é possível falar em valorização do comércio sem valorizar os profissionais que o fazem acontecer. O trabalhador precisa ser respeitado e ter clareza sobre suas condições de trabalho”, destaca. Ela acrescenta que a mobilização busca alertar para a importância da negociação coletiva como instrumento de equilíbrio entre os interesses de empregados e empregadores. “A categoria precisa estar unida e consciente de seus direitos para garantir jornadas justas, remuneração adequada e um fim de ano com dignidade”, complementa.