O valor de quem move o comércio
Adriana Helfer
Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul e Região
Ser comerciário é resistir. É estar todos os dias na linha de frente de um sistema que cobra metas, impõe jornadas e, muitas vezes, esquece que por trás de cada uniforme e de cada sorriso existe uma pessoa. É enfrentar a pressão, o cansaço e o medo de perder o emprego enquanto se luta por reconhecimento, por salário justo e por condições dignas de trabalho. O Dia do Comerciário não é apenas uma celebração, é um ato político, um grito de afirmação de quem faz o comércio existir, mas que nem sempre é visto como deveria.
O comércio se orgulha de ser o motor da economia, mas quem o move são os trabalhadores. São eles que abrem as portas, atendem, carregam, organizam, vendem, sorriem e mantêm vivo o ritmo das nossas cidades. E, apesar disso, ainda há quem queira ampliar jornadas, reduzir direitos e transformar o descanso em privilégio. É por isso que o Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul e Região segue firme na defesa daquilo que é inegociável: a dignidade humana.
Entre as batalhas mais simbólicas da categoria está a manutenção da luta contra o trabalho aos domingos e feriados, assim como o fim da escala 6×1, com redução de jornada sem redução nos rendimentos. Essa bandeira carrega a cor da coragem e da união, e não é apenas uma cláusula em constante discussão; é um símbolo de resistência. É o resultado de anos de enfrentamento contra a lógica do lucro acima das pessoas. O Sindicato tem sido a barreira que impede luta contra a exploração, para que nunca haja tentativa de retrocesso.
Lutar para que o comércio feche suas portas nesses dias é lutar por tempo. Tempo para viver, para estar com quem se ama, para cuidar da saúde física e mental. É lutar pelo equilíbrio que sustenta toda sociedade. Porque um trabalhador esgotado não produz melhor, e um sistema que se alimenta do cansaço das pessoas está condenado a adoecer.
Mas o Sindicato não se define apenas pela resistência. Ele se define também pela construção. A cada campanha salarial, a cada conquista coletiva, reafirmamos o valor da união, do diálogo e da consciência de classe. Seguimos atentos, mas abertos ao entendimento. Sabemos que a luta não é contra o comércio, mas em favor de quem o faz existir.
Neste Dia do Comerciário, a homenagem vai para cada trabalhador e trabalhadora que não se cala, que acredita, que levanta cedo e segue em frente, mesmo quando as condições não são ideais. Vai para quem não perde a esperança, mesmo sabendo que as vitórias são conquistadas passo a passo. Que este dia sirva de inspiração para continuar lutando por respeito, salário digno e humanidade. Porque o comércio pode ter dono, mas quem lhe dá alma é o comerciário.